Parafraseando Olavo Bilac, o fazer acadêmico é um pouco um sonho vesânico: homens e mulheres lançados numa inglória tarefa de defesa do vernáculo e da sua conseqüência artístico-literária, o livro. Escrevemos para uma minoria que tem acesso ao que se publica, enquanto outro tanto – a maioria – se mantém longe deles, os livros, por falta do hábito da leitura ou pela incapacidade financeira para a aquisição do produto literário. Os preços dos nossos livros ainda continuam incompatíveis com os padrões econômicos do grande público, que ainda tem de optar entre o subsistir e o consumo dos bens culturais.
Se uma nação se constrói com homens e livros, como expressou Monteiro Lobato, estamos diante de um dilema crucial: faltam homens, no verdadeiro e amplo sentido da palavra, e livros na quantidade e qualidade necessárias à construção de uma nação digna e compatível com as necessidades da população.
Outro dia um amigo perguntou-me, na bucha:
– Por que você não direciona seu precioso tempo e a sua competência profissional para atividades mais úteis e necessárias à coletividade?
Não passei recibo e apresentei uma porção de justificativas... Mas, confesso, tem hora que pergunto a mim mesmo:
– Vale a pena, Jesus?
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PS – Vale a pena, sim! Nós, os vesanos, (portadores da vesânia; loucos, dementes, alienados, malucos delirantes de inescondível insensatez), somos necessários neste país onde muitos ainda precisam, entre tantas coisas, aprender a ler...
ANTONIO DE JESUS
Da Academia Cascavelense de Letras